
A seguir, elencamos e rebatemos os principais argumentos usados pelo governo brasileiro e por alguns cientistas para o veto à doação de sangue por gays, homens bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens (HSH).
- Gays, homens bissexuais e outros HSH têm mais aids do que héteros, por isso é importante a proibição.
Todas as pesquisas e boletins epidemiológicos no Brasil comprovam sim esse dado. Dentre gays, homens bissexuais e outros HSH, o número de infectados pelo HIV é de 1 a cada 10. Dentre os homens em geral, a proporção é de menos de 1 a cada 100. Não brigamos com esse dado. Entretanto, o que dizer para os 9 de cada 10 gays, homens bissexuais e HSH que, de acordo com todas as pesquisas da área, portanto, que não têm HIV? Argumentar que embora o número de infectados seja minoritário dentre essa parcela, eles, os outros 90%, devem ser tratados como os 10%? Não aceitamos isso!
O que deve ser feito, por meio da triagem já realizada pelos hemocentros e com o uso de testes cada vez mais avançados, é identificar exatamente os gays, homens bissexuais e outros HSH que têm HIV/Aids e/ou que tiveram situações de risco para a infecção. Eles é que devem ser impedidos de doar, e aí, por razões óbvias. E não, todo e qualquer gay, homem bissexual e outro HSH.
- O ativismo quer testes e triagens menos rigorosos.
Mentira! Pelo contrário, quanto mais rigorosos, melhor. Afinal, não queremos prejudicar ninguém e, nossos caros cientistas contrários à doação por nós, também podemos precisar receber doações de sangue (somos gente normal, viu?).
O que queremos? É passar exatamente por todos os tipos de testes, questionários, procedimentos, o que for necessário para garantir a qualidade do sangue. O que queremos? É, vejam só, sermos tratados de forma igualitária. Um hétero que fez sexo sem camisinha, ele é proibido de doar, certo? Pois defendemos que um gay, homem bissexual e outro HSH que tenha tido relações sexuais sem proteção que ele também seja proibido de doar. Simples! Não queremos privilégios não!
O que defendemos é que a regra de doação não foque a análise em com que pessoas os doadores tenham feito sexo, mas sim nos atos sexuais, feitos com quem for. Se não houve proteção, que seja aplicado o veto. E vice-versa. O contrário do que acontece hoje! Atualmente, podemos ser exemplos máximos de sexo seguro, preencher todos os requisitos exigidos pelos hemocentros, mas, ao marcarmos que o sexo protegido foi feito com homem, deixamos de servir, somos descartados.
Trabalhar com a idéia de que todo e qualquer gay, homem bissexual e outro HSH é um risco à qualidade do sangue é tão lógico e aceitável quanto trabalhar com a idéia que é gerada por oposição a essa: todo e qualquer heterossexual não oferece risco algum!

- Vários países também proíbem a doação
Esse assunto é por demais sério para ser tratado por maria-vai-com-as-outras. Vários países são ditaduras, vários países não investem em ciência, vários países combatem debates científicos por eles ferirem dogmas religiosos. E aí, também vamos segui-los? Queremos é uma discussão conseqüente, séria e ampla sobre o tema e não justificativas pífias como a de que se faz algo por outros também o fazerem.
- Os testes ainda não são seguros para garantir que os gays, homens bissexuais e outros HSH que tenham HIV sejam detectados.
Alto lá! Quer dizer que o sangue que nós gays, homens bissexuais e outros HSH recebemos quando precisamos de transfusão (sim, também podemos receber, viu?) não é devidamente testado? Isso é gravíssimo! Se os hemocentros precisam barrar pessoas, estigmatizá-las porque os testes que usam não são suficientes, a situação é preocupante. Sim, porque ao ter de negar a nós gays, homens bissexuais e outros HSH, o que as autoridades responsáveis no Brasil estão dizendo é que ninguém está seguro já que a qualidade do sangue de nenhum doador (hétero, mulher, homem, jovem, adulto…) pode ser garantida.
Falta dinheiro para adquirir testes mais avançados? Falta estrutura? Quais são os problemas que ocasionam isso? Nós queremos saber para que possamos cobrar dos governantes! Conte com a gente nessa luta, ok, autoridades responsáveis pela doação de sangue no Brasil? O que não dá é vocês encobertarem possíveis falhas e fazer com que nós gays, bissexuais e outros HSH paguemos o preço.
Por outro lado, se os testes são seguros, se os procedimentos feitos são os melhores, então perfeito! A qualidade do sangue é assegurada e vocês podem abolir regras dos anos 80, não é mesmo, de quando a ciência mal sabia o que era o HIV. Um exemplo? A proibição de gays, homens bissexuais e outros HSHs doarem sangue!
Você tem outros argumentos que reforcem nossa luta contra a proibição? Deixe-os nos comentários. Sua colaboração será muito bem-vinda e pode ser incorporada pela campanha Mesmo Sangue. Mesmo Direito.




Pessoal, gostaria de saber sobre a possibilidade de vocês disponibilizarem a identdade visual da campanha. Por exemplo, gostaria muito de utilizar a imagem em jpg da gota de sangue com os dizeres “mesmo sangue mesmo direito” em meus perfis e assinaturas de e-mail. Se puderem, por gentilez, encaminhem para meu e-mail. UM abraço!
Olá, Ana Paula,
É um favor para nossa luta você usar nossa identidade visual com o fim de divulgar a campanha. Fique à vontade e obrigado! E todo que desejarem fazer o mesmo, sintam-se à vontade. O Estruturação – Grupo LGBT de Brasília sabe o valor de nossa soma rumo à conquista do que nós LGBTs acreditamos.
Excelente contribuição pessoal. Bom ter chegado até vocês e bom ver no site da ANVISA várias comentários sobre propostas de mudança a esse respeito! Quem sabe dessa vez vai! Concordo que não é justo, mesmo com esses dados, estigmatizar os gays.